História

por Interlegis — última modificação 27/03/2020 11h14
São Tomé é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. De acordo com o censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) no ano 2010, sua população é de 10.827 habitantes. Área territorial de 863 km².

O território que hoje constitui o município de São Tomé foi povoado no início do século XVIII, através de sesmarias que foram doadas em concessão perpétua a diferentes sesmeiros. O primeiro deles, foi Francisco Diniz da Penha que obteve uma data de sesmarias entre o Rio Potengi e a Serra do Pica-pau, que ficou conhecida como a Data do Pica-pau, em 15 de novembro de 1719.[6] Quase vinte anos depois, em 14 de fevereiro de 1739, era a vez de Lourenço de Araújo Correa solicitar a El Rey a mercê de uma sesmaria. Segundo este sesmeiro, a divisa de suas terras começavam "das confrontações das terras do próprio suplicante, ao sul, seguiam o curso do Rio Jundiaí e iam até estrada que vai para a casa dos herdeiros de Gonçalo Barbosa de Moura".[7] Na segunda metade do século XVIII, em 03 de julho de 1751, foi a vez do Capitão Inácio Marinho de Carvalho requerer uma sesmaria no Riacho da Pedra Preta, vizinho a sesmaria dos "herdeiros do falecido Clemente de Araújo de Carvalho".[8] Como Inácio Marinho de Carvalho não ocupou as referidas terras, apenas sete anos depois, em 07 de abril de 1758, José da Costa Valarinho às requereu por serem devolutas, ou seja, nunca haverem sido aproveitadas economicamente, tornando-se dono de uma sesmaria que ia do olho d'água atrás da Serra do Pica-pau até o Riacho da Pedra Preta.[9]

Acima, citou-se os nomes de seis homens que obtiveram junto ao rei de Portugal, por intermédio das autoridades locais, sesmarias na porção central da área hoje ocupada pelo município de São Tomé. Àqueles agentes sociais foram os primeiros a ocuparem terras que antes pertenciam ao nativos tapuia que habitavam a referida área, fazendo deses, quando não assassinados, escravos domésticos para trabalharem nas lavouras, mas principalmente no criatório do gado, fosse vacum, fosse cavalar, como todos eles alegaram em sua petições de terras que possuíam.

São Tomé desmembrou-se do município de Santa Cruz - RN em 1928, quando passou a categoria de vila, mediante o requerimento de licença de "portas abertas", solicitada pelo Senhor Tomás Barbosa de Moura, comerciante e fazendeiro de tradicional família latifundiária local, o qual foi reconhecido como fundador oficial deste município. O Senhor Tomás Barbosa de Moura doou também o terreno para a construção da Igreja matriz e o terreno no qual seria erguida a casa paroquial, cujo orago teve - ainda permanece - por invocação Nossa Senhora da Conceição, erguida pelos irmãos Inácio, Francisco, Julião e Romualdo Brasileiro de Andrade - os irmãos Andrade -, cuja ascendência era legitimamente portuguesa.

Tomás Barbosa de Moura foi casado com a Senhora Maria Rosalinda de Moura, tendo como filhos Miguel Barbosa de Moura, Vicente Barbosa de Moura, Rafael Barbosa de Moura, José Amaro Barbosa de Moura, Domingas Barbosa de Moura e Máxima Barbosa de Moura. Tomás de Moura, como era vulgarmente conhecido em âmbito local, era originário da Fazenda Lagoa do Mato, na Ribeira do Jundiaí - atualmente município de Macaíba -, sendo o filho mais novo do sesmeiro Gonçalo Barbosa de Moura, citado acima, e de Joaquina Barbosa de Moura, e que teve como irmãos Maximiano Barbosa de Moura, fundador da Fazenda Caiçara dos Barbosas, atualmente localizada no município de Rui Barbosa, e Gonçalo Barbosa de Moura - chamado o novo - proprietário da Fazenda Carnaúba - que, posteriormente, viria à pertencer Domingos Cândido Lopes e sua esposa Aurita Lopes.

O fundador do município de São Tomé, Tomás Barbosa de Moura, era senhor e possuidor das Fazendas Santa Luzia e Barreiros, onde se dedicava, juntamente com familiares, as lides com o algodão e o ao criatório de gado vacum e cavalar, dividindo seus afazeres do mundo rural com o comércio de pequena e média escala, pois, nos idos da década de 1910, estabeleceu uma casa comercial à margem direita do Rio Potengi, em terras que recebeu do espólio de herança de seu pai, Gonçalo Barbosa de Moura, onde passou a comprar e vender, dentre outras coisas, o algodão produzido pelos agricultores locais. A partir disso, Tomás Barbosa de Moura adquiriu uma propriedade (a Fazenda Santa Luzia) encravada na metade do caminho para Santa Cruz, principal destino do algodão que comprava nos arredores de sua "Bodega" - que durante anos serviu como topônimo para o povoado nascente -, cujo principal objetivo era servir de local "pouso", ou seja, espaço de descanso, para as tropas que faziam o transporte daquele produto, em lombo de muares, que eram conduzidos por seus criados até Santa Cruz.

Devido ao "vai-e-vem" não apenas no comércio, como também para fins de deveres cívicos e administrativos, bem como ao oneroso e desgastante trajeto realizado entre o povoado "Bodega" e a cidade de Santa Cruz, Tomás Barbosa de Moura escreve e escabeça uma representação - espécie de documento similar a um abaixo assinado -, no qual recolhe a assinatura de algumas figuras de proa do povoado Bodega e arredores, fazendeiros e comerciantes como ele, onde se destacavam os sobrenomes de integrantes das famílias Teixeira, Melo e Andrade, e entrega ao juiz de paz de Santa Cruz solicitando, por meio daquele documento, de licença de portas abertas, para poder comprar, vender, comerciar, assim como realizar seus deveres políticos e administrativos no próprio povoado que, naquela altura, 1928, já contava com três ruas - a saber as atuais Félix Medeiros, Barão do Rio Braco e Ladislau Galvão Pereira -, de casas de tijolos e devidamente enfileiradas. Apenas um ano depois, Tomás de Moura veio à óbito e, devido a todo o seu empenho e afinco para que o povoado que viria a constituir a cidade de São Tomé, tornar-se-ia, por honra, merecimento e reconhecimento, o fundador oficial da cidade de São Tomé, cujo primeiro prefeito viria a ser o Sr. Félix Gomes de Melo, filho secundogênito de tradicional família santa-cruzense, que através de sua rede familiar, do poder econômico e do sistema de alianças políticas de que dispunha, o habilitou a assumir e garantir a independência de São Tomé ante o julgo da elite política e econômica de Santa Cruz da qual fazia parte.

Fato curioso, é que o nome atual do município e, anteriormente, da própria cidade, deve-se não a uma homenagem ao Apóstolo Tomé (São Tomé), mas sim a um fato, ocorrido entre os anos de 1924 e 1925, em meio a uma grande seca, na qual um homem faminto chegou a casa de um dos integrantes da família Andrade e pediu algo que pudesse saciar a sua fome; no entanto, naquele momento o dono da casa tinha apenas um pouco de mel em uma garrada e o viajante, cansado e com fome, fez daquele meu uma garapa e o bebeu, após alguns instantes, saciado e reconfortado, disse: "Que santo Mé"" (em alusão ao mel que saciou sua fome e não ao apóstolo). Disso, resultou o topônimo.